(...) Se a maioria dos seres humanos começasse a desenvolver um exclusivo interesse pelas coisas da mente, o sistema industrial inteiro entraria em colapso de imediato. Com o fato concreto do maquinário moderno, não pode haver prosperidade industrial sem produção em massa. A produção em massa é impossível sem consumo em massa. Sendo as coisas como são, o consumo varia numa escala inversa em relação à intensidade da vida mental.
Um homem cujos exclusivos interesses são as coisas da mente ficará bastante feliz sentado quieto num quarto. Um homem que não tem nenhum interesse nas coisas da mente ficará entediado até a morte se tiver de sentar quieto num quarto.
Sem dispor de pensamentos com os quais distrair-se , ele precisa adquirir coisas para lhe ocupar o lugar; incapaz de uma viagem mental, ele precisa se mover com o corpo. Numa palavra, ele é o consumidor ideal, o consumidor em massa dos objetos e do transporte.
(...) Aqueles que se sentam quietos em quartos com nada exceto seus pensamentos e talvez um livro para diverti-los são representados como infelizes, ridículos e até mesmo imorais. A felicidade é produto do ruído, da companhia, do movimento e da posse de objetos. Quanto mais barulho você ouvir, quanto mais pessoas tiver ao seu redor, quanto mais rápido você se mover e mais objetos possuir, tão mais feliz você será - mais feliz, mais normal e virtuoso. No moderno estado industrial, eruditos sendo consumidores ruins, são maus cidadãos. Vida longa à estupidez e à ignorância!
Aldous Huxley
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