quarta-feira, 30 de março de 2016

O consumidor ideal

(...) Se a maioria dos seres humanos começasse a desenvolver um exclusivo interesse pelas coisas da mente, o sistema industrial inteiro entraria em colapso de imediato. Com o fato concreto do maquinário moderno, não pode haver prosperidade industrial sem produção em massa. A produção em massa é impossível sem consumo em massa. Sendo as coisas como são, o consumo varia numa escala inversa em relação à intensidade da vida mental.

Um homem cujos exclusivos interesses são as coisas da mente ficará bastante feliz sentado quieto num quarto. Um homem que não tem nenhum interesse nas coisas da mente ficará entediado até a morte se tiver de sentar quieto num quarto.
Sem dispor de pensamentos com os quais distrair-se , ele precisa adquirir coisas para lhe ocupar o lugar; incapaz de uma viagem mental, ele precisa se mover com o corpo. Numa palavra, ele é o consumidor ideal, o consumidor em massa dos objetos e do transporte.

(...) Aqueles que se sentam quietos em quartos com nada exceto seus pensamentos e talvez um livro para diverti-los são representados como infelizes, ridículos e até mesmo imorais. A felicidade é produto do ruído, da companhia, do movimento e da posse de objetos. Quanto mais barulho você ouvir, quanto mais pessoas tiver ao seu redor, quanto mais rápido você se mover e mais objetos possuir, tão mais feliz você será - mais feliz, mais normal e virtuoso. No moderno estado industrial, eruditos sendo consumidores ruins, são maus cidadãos. Vida longa à estupidez  e à ignorância! 

Aldous Huxley

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

A arte sem sonho da indústria cultural

A mídia ama o lucro


Como escrevem Theodor Adorno e Max Horkheimer, hoje, a obra de arte não transcende o mundo dado, é "arte sem sonho", e por isso mesmo é sono, ou seja, adormece a criatividade, a consciência, a sensibilidade, a imaginação, o pensamento e a crítica tanto do artista como do público.

Tudo é transformado em produto


O que se vê nos dias de hoje são pessoas sem identidade e por conta disso, acabam se identificando com o comum por falta de senso crítico, que por sua vez, é anulado pela mídia de massa onde tudo é tranformado em produto e descartado quando perde poder de gerar lucro.
Música e outras formas de arte são construídas como em uma linha de montagem e empurradas goela abaixo no povo. As tais "músicas" são feitas com fórmulas repetitivas com a certeza que cairão no gosto do povo.

A arte sem sonho


A arte que não vai além da realidade e se limita ao senso comum. O conteúdo dessas produções é composto por clichês e esteriótipos da sociedade para a qual foi produzido e não possibilita que o público saia do lugar comum.

Deste modo, a arte sem sonho não passa de um produto gerado em escala industrial pelas grandes indústrias do entreterimento que visam o lucro a todo custo, o que leva à clássica expressão: o cliente tem sempre razão.
O produto não pode ser nada além do que o "cliente" deseja, não pode incomodá-lo, nem gerar questionamentos internos que o tirem, por um momento que seja, de sua zona de conforto.